Interesse europeu por Giay abre uma nova discussão tática e de mercado no Palmeiras
- 13/10/2026
Os dois gols de Agustín Giay na goleada por 4 a 1 sobre o Corinthians, no último domingo (11), renderam ao lateral-direito uma noite de protagonista no Palmeiras. Mas reduzir sua atuação ao placar seria desperdiçar uma discussão mais interessante envolvendo a nova sensação do Palestra, ao qual aponta para a indagação: será que Abel Ferreira encontrou uma maneira de aproveitar melhor as características do argentino? A pergunta ganha ainda mais relevância em um momento no qual o jogador, que também passou a ganhar espaço na seleção argentina, desperta o interesse de clubes europeus.
Antes do Derby, Giay havia marcado apenas uma vez em 102 partidas pelo Verdão. Contra o maior rival, balançou as redes duas vezes e ajudou a construir uma vitória que reforçou a confiança alviverde às vésperas da semifinal da Libertadores contra o Fluminense. A mudança de produção ofensiva chama atenção, mas não significa, por si só, que o camisa 4 tenha se transformado repentinamente em outro jogador. É preciso olhar para o contexto que permitiu ao argentino aparecer em zonas de finalização com tanta frequência.
No clássico, Abel manteve a estrutura com três zagueiros, formada por Gustavo Gómez, Murilo e Alexander Barboza. Lucas Evangelista atuou à frente da defesa, enquanto Andreas Pereira ganhou liberdade para participar da criação. Pelos lados, Giay e Piquerez ofereceram amplitude e profundidade, com Jhon Arias, Vitor Roque e Flaco López ocupando regiões mais adiantadas. A distribuição colocou o Corinthians diante de um problema: além de acompanhar as movimentações dos atacantes, precisava lidar com a chegada dos alas e com jogadores capazes de circular entre suas linhas de marcação.
Essa organização ajuda a explicar por que a atuação de Giay merece ser analisada para além dos gols. Com três zagueiros na base da estrutura, o Palestra pode oferecer maior liberdade aos jogadores dos corredores, desde que a cobertura esteja bem coordenada. Quando o argentino avança, o espaço deixado às suas costas não desaparece por decreto de Abel. Alguém precisa protegê-lo, seja com o deslocamento do zagueiro pelo lado direito, seja com o posicionamento dos meio-campistas para evitar que uma perda de bola transforme uma iniciativa ofensiva em contra-ataque adversário.
Para entender o mecanismo do Palmeiras
O funcionamento dessa engrenagem depende também da ocupação dos espaços por dentro. Andreas e Arias podem aproximar-se da construção, atrair marcadores e abrir caminhos para a progressão pelos lados. A presença de Vitor Roque e Flaco López mais adiantados também ajuda a prender a última linha adversária, criando condições para que os alas avancem. Contra o Corinthians, a SEP conseguiu combinar amplitude, mobilidade e profundidade, explorando as dificuldades de um rival que teve problemas para conter as movimentações Alviverdes. Giay apareceu como beneficiário de um mecanismo coletivo, não como um personagem isolado de uma partida excepcional.
Isso não significa que o argentino tenha resolvido todas as questões de seu jogo. A capacidade de atacar o espaço e aparecer na área precisa conviver com a leitura defensiva, a escolha do momento de avançar e a qualidade das decisões quando o adversário consegue bloquear o corredor. É justamente neste contexto que a discussão sobre lateral e ala ganha outra dimensão. Mais importante do que escolher um rótulo para Giay é entender em qual estrutura ele consegue oferecer mais ao Verdaço sem comprometer o equilíbrio da equipe. O Derby forneceu sinais positivos, mas a repetição desse rendimento será decisiva para confirmar a hipótese.

A dimensão da atuação aumentou com a notícia de que clubes europeus acompanham o jogador e podem apresentar propostas em janeiro. Em reportagem publicada nesta terça-feira (13), a ESPN informou que Giay é sondado por equipes do exterior e deve voltar a ser alvo de movimentações na próxima janela, segundo apuração do especialista em mercado Matteo Moretto. O interesse surge por um cenário de conjunções promissoras. Com 22 anos, ganhou projeção recente na seleção de seu país e vem ampliando sua exposição. O clássico, nesse cenário, funciona como mais uma vitrine de um atleta cujo potencial já despertava atenção no mercado.
O que é preciso observar com atenção sobre Giay
Para o Palmeiras, porém, a discussão é complexa e demanda atenção. A diretoria investiu na contratação de Giay junto ao San Lorenzo, em 2024, e agora tem diante de si o desafio de avaliar não apenas a valorização financeira do jogador, mas também sua utilidade esportiva. Se Abel estiver encontrando uma maneira consistente de potencializar o argentino, negociar em janeiro significaria considerar a perda de uma peça que pode ganhar importância na estrutura da equipe. Naturalmente, uma proposta fora dos padrões habituais exigiria análise, mas o rendimento recente acrescenta um componente esportivo à equação.
A semifinal contra o Fluminense oferece um teste importante para essa leitura. O contexto tende a ser diferente daquele encontrado diante do arquirrival paulista, e Giay poderá ter menos espaço para avançar ou precisar escolher com mais cuidado o momento de apoiar o ataque. Em jogos de maior exigência, a liberdade ofensiva precisa estar acompanhada de uma proteção defensiva eficiente. Se o Palestra conseguir preservar a segurança do corredor e, ao mesmo tempo, encontrar oportunidades para explorar as chegadas do argentino, a atuação no Derby ganhará um significado mais amplo. Não será necessário que ele marque novamente para confirmar sua importância.
Também convém evitar a conclusão oposta: um jogo discreto no Maracanã não apagaria o que Giay apresentou contra o Corinthians. O futebol não oferece respostas definitivas em noventa minutos, sobretudo quando a função de um jogador depende tanto dos movimentos dos companheiros e das características do adversário. O que a semifinal poderá revelar é em quais condições o argentino consegue repetir suas ações ofensivas e como Abel ajusta a equipe para equilibrar os riscos. Essa é a medida mais útil para separar uma grande atuação de uma evolução que pode se consolidar.
Desafio sobre os recursos do argentino
Talvez Giay não tenha mudado de patamar de uma hora para outra. É possível que o Palmeiras esteja começando a aproveitar melhor atributos que já existiam, dentro de uma estrutura capaz de oferecer ao argentino situações mais favoráveis para atacar. Os dois gols no Derby colocaram essa possibilidade em evidência, o interesse europeu acrescentou urgência à discussão e a semifinal contra o Fluminense surge como uma oportunidade de observar a hipótese em outro contexto competitivo. Para Abel, o desafio é transformar a exceção em recurso. Para o Verdão, é descobrir até onde esse recurso pode levar o time antes de calcular quanto vale abrir mão dele.









































